domingo, 12 de maio de 2013

MÚSICA RAIZ E O VIOLÃO - Música do próprio lugar - Música original - Música sertaneja - Música popular brasileira - Violonista Nivaldo visita assentamento Nova São Carlos e toca para estudantes enquanto trabalham em mutirão para construção de casa ecológica, aplicando o conceito de arquitetura vernacular, que tem o mesmo significado de "raiz" e "próprio lugar" - Em São Carlos-SP


Música raiz e arquitetura vernacular tem sentidos parecidos e combinam muito bem
Eu e o Nivaldo, o violonista Leopardo, fomos a pé e, antes
de chegar, o violão foi afinado, quando aproveitei para tirar
uma foto. Nivaldo é tocador de música raiz e já participou
de vários eventos e concursos em São Carlos-SP.



A visita
O violonista Nivaldo de Brito, conhecido nos meios musicais, sertanejos e populares, como Leopardo, visitou ontem, 11 de maio/2013, a continuidade das obras da construção de uma casa ecológica realizada por um grupo de estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da Usp de São Carlos.

Os estudantes, voluntários e moradores do lote beneficiado trabalharam 2 horas ouvindo música sertaneja e popular, ao vivo !!



Música raiz e trabalho também combinam !!

Estamos chegando no lote do Gilson e da Mary.
O micro-ônibus dos estudantes está estacionado na frente.
Estão vendo quanta madeira de eucalipto há à volta para
ser utilizada na construção da casa ecologicamente
correta ? Até o capim vai ser aproveitado !!....
Então, pra quê trabalhar para a indústria e o
 comércio para ter dinheiro e depois comprar
tijolo, areia, cimento e tudo o mais que
prejudica o meio ambiente ?....

Nivaldo, o Leopardo, cantou e tocou animadoramente com o seu violão Waldemar, enquanto os estudantes, os da casa e dois visitantes voluntários terminavam a construção do barracão de obras e transportavam os palets para o seu interior. O trabalho em mutirão normalmente já rende bem, mas desta vez o tempo passou rápido e muitas atividades foram feitas.


O violonista, cantor e compositor nasceu aqui perto, em Brotas, a mesma cidade onde nasceram João Paulo e Daniel. Brotas, e região, é berço de cantores, tocadores e compositores de música raiz.

Olha aí o barracãozinho. Uma metade dele já está sendo
usada para guardar os palets e a outra ficará reservada
para trabalhos em dias de chuva. Para manter uma ligação
com os sem terra, o barracão, que é provisório, foi feito
de madeira e coberto com plástico amarelo.

Arquitetura e música raiz
O encontro foi muito auspicioso, pois os estudantes universitários estão praticando teorias que aprendem na universidade sobre a arquitetura vernacular. Esta modalidade de arquitetura estuda as construções que são feitas pelos povos antigos e recentes, quando utilizam "materiais raiz", do próprio lugar, como gelo para a construção dos iglus, barro e varas para a construção de casas de pau-a-pique ou adobões, para a construção de paredes das casas do interior da Bahia e outras regiões. Em todo o mundo, há exemplos de construções, incluindo pedra, bambu, madeira, barro, terra, ramos e outros. A similaridade do conceito com a música do próprio lugar é muito grande.


Todos participarem
E então foi só alegria !!....Enquanto os estudantes
 trabalhavam, Leopardo tocava e cantava músicas
populares de raiz e sertaneja. Todo mundo adorou !!
Olha o tocador ao fundo, no lado superior direito.
Os sem terra assentados estão sendo convidados a participarem nos mutirões para aprenderem a construir a própria casa, com materiais encontrados no próprio assentamento e alguns reutilizados que podem ser trazidos de perto, como os restos de palets.

Festa junina com música ao vivo
Nivaldo, com seu entusiamo pela música sertaneja, deu aos estudantes uma ótima idéia : podemos programar uma festa junina no lote do Gilson e da Mary, ou no barracão quando, então, ele e outros tocadores viriam para animar a festa. Fogueira, pipoca e quentão - que são também "costumes de raiz" - vão combinar muito bem com a música sertaneja e a casa ecológica feita com palets, madeira e barro. Quando terminar, a primeira casa do projeto vai ficar muito bonita e funcional.

Compadre Nivaldo também gostou muito de tocar para
os estudantes. Ele foi filmado, gravado e posou
especialmente para esta foto, pertinho do barracão e
diante da garrafa de café, a água e o lanche.
"Eita tarde gostosa", assim exclamou !!

Venha aprender !!
Excluindo o mês de julho, durante o qual os estudantes estarão em férias, todos os sábados à tarde eles estarão lá no lote da Mary "mandando ver" no ritmo da construção. Vai lá você também, ajude um
pouquinho e aprenda esta ótima técnica que, além de muito barata, é plenamente harmônica com a natureza e o meio ambiente !!


O Incra e as casas ecológicas
Precisamos de alguém que possa comentar abaixo e esclarecer se o Incra permite a aplicação do dinheiro do empréstimo para a compra dos materiais destinados à construção da casa própria em mão de obra e em alguns materiais comprados - como por exemplo, captadores solares de energia, roda d`água e moinho a vento - para a construção de casas ecológicas. Seria ótimo pois, assim, as famílias assentadas teriam, também, uma casa sustentável, com obtenção de energia elétrica, e talvez água, diretamente da natureza em sua volta. No conceito da arquitetura vernacular, entram também as energias, alimentos e utensílios que possam ser obtidos ou feitos pelas pessoas que moram no lugar, e usando materiais e energias do espaço onde vivem. A música raiz dá o toque final, quando os moradores cantarolam alegremente enquanto produzem as próprias coisas. Isso, sim, é qualidade de vida !!

Produzido e editado por Luiz Spinola - 12/maio/2013 - "No dia das Mães !!....Fazendo casas com as dádivas de nossa Mãe Natureza !! - Como presente a ela, a nossa vontade e a nossa ação de vivermos sem depredar os seus recursos" !!


Clique abaixo e conheça a reportagem do primeiro dia !!
ASSENTAMENTOS HUMANOS SUSTENTÁVEIS....

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O Capão das Antas - blog foi criado para você conhecer os projetos dos sem terra para conquistarem parte da fazenda da prefeitura (Capão das Antas) para a reforma agrária. Acreditamos que lá é possível a prefeitura implementar um projeto modelo de assentamento ecológico, agro-florestal e sustentável. Sugeriremos, ainda, que na mesma área poderão ser construidos um Quintal Didático, como complemento aos espaços verdes das escolas de São Carlos e um Centro de Pesquisas Científicas. Vai lá conhecer !!


O blog Agrários São Carlos está aberto a qualquer solicitação de reportagem, artigo ou divulgação, por parte de todos os assentamentos e acampamentos de São Carlos e região. Poste um comentário abaixo.


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quarta-feira, 1 de maio de 2013

COMO FAZER BIOFERTILIZANTE - Como fazer em tambores - Como produzir em bombonas - Método caseiro e simples - Fermentação de materiais orgânicos dentro da água - Adubo líquido e defensivo natural - Ensinado no segundo mês do Curso de Olericultura Orgânica, no assentamento Nova São Carlos, em São Carlos-SP


No segundo mês do curso de Olericultura Orgânica, no qual estão participando vários assentados e assentadas, o professor Diego ensinou como fazer fertilizante líquido em tambores.

O método abaixo não foi exatamente o que o professor ensinou. No curso prático há mais detalhes instrutivos, além de você participar na preparação do biofertilizante e aprender mais.

O curso está sendo ministrado no lote da Maria Marruá, é subsidiado pelo Senar, o Sindicato Rural e apoiado pela Prefeitura de São Carlos.


Um modelo aberto, com adição de farelo dentro de um saco
(não foi ensinado abaixo) e outro modelo lacrado, para
monitorar a fermentação do biofertilizante líquido.
Como fazer fertilizante líquido orgânico - modelo simples -, em passos :

Passo 1 - Local : se for no tempo do calor, é conveniente o tambor (ou bombona) ficar em um local sombreado. No tempo do frio, para apressar a fermentação, deixe o tambor em local de bastante sol.

Passo 2 - Encha um tambor de mais de 200 litros com água até um pouco mais da metade.

Passo 3 - Complete até uns 15 cm da boca com capins e folhas verdes diversas. Quanto mais verde, melhor, pois produzirá mais nitrogênio e outras substâncias benéficas. Enquanto vai enchendo com capim e folhas verdes, pressione para conter uma boa quantidade.

Passo 4 - tampe com a tampa original ou qualquer material que não deixe entrar moscas. Neste modelo mais simples não é necessário vedar.
O capim napie, por exemplo, pode ser utilizado tanto
para a produção de composto de pilha, como na mistura
dos materiais orgânicos para a produção de biofertilizante
líquido.

Passo 5 - Aguarde aproximadamente 1 mês. O biofertilizante estará pronto para ser usado. Basta coar em com uma peneira ou pano fino.

Passo 6 - Como aplicar nas plantas : Como adubo para hortaliças, dissolver na proporção de 1:3, ou seja, uma porção da solução nutritiva diluida em três porções de água. Por exemplo : dissolva 10 litros de biofertilizante em 30 litros de água. Dois dias antes da colheita é aconselhável regar as verduras com água pura.
Como defensivo natural de pragas e doenças : dissolver na proporção de 1:1 ou 1:0.5. Por exemplo, para garantir maior proteção, dissolver três litros de biofertilizante em 1,5 litros de água.

OBS : O tipo de fermentação que ocorre na produção do adubo líquido orgânico é a anaeróbica, aquela que acontece sem a presença de ar(oxigênio). Ocorre, então, uma fermentação pútrida, de um forte cheiro, que algumas pessoas acham desagradável e que vai diminuindo à medida que o tempo vai passando. Mas isto não é prejudicial às plantas. Ao contrário, são substâncias nutritivas, enzimáticas e repelentes que só nutrirão as plantas adequadamente e as protegerão de muitas pragas e doenças. Se você quiser evitar o cheiro nas mãos, use luvas de borracha e utensílios  para a manipulação, de tal forma a evitar contato com o corpo ou cair respingos na roupa de trabalho.


Modelo 2 - Tambor com torneira e indicador de fermentação

Este modelo é igual ao anterior, mas com alguns aperfeiçoamentos :

Este modelo de digestor para produção de adubo natural
líquido foi feito no curso. Ele é totalmente vedado e o gás
produzido na fermantação passa pela torneirinha e vai
para o fundo de uma vasilha plástica transparente. com água.
Quando terminar as borbulhas, depois de uns 30 dias,
o líquido estará pronto para ser utilizado nas plantas.

Passo 1 - Instale uma torneira/registro de 3/4" na parte inferior do tambor, a 15 cms do fundo. Desta forma, você poderá coletar o biofertilizante sem qualquer contato manual.

Passo 2 - Logo no terceiro dia, em tempo de calor, após ter sido enchido o tambor, a fermentação interior da matéria orgânica começa a produzir três gases principais : metano (que é explosivo), gás carbônico e gás sulfídrico (que dá o odor mal cheiroso). Estes gases podem ser utilizados para monitorar o processo de fermentação e se a solução já está pronta para uso. Para isso, fechar a tampa hermeticamente, utilizando, se necessário, massa plástica de vedação, ou algum material vedante natural. Faça um furo na tampa de tal forma a passar uma pequena mangueira, de aproximadamente 80 cm. O outro lado da mangueira vai para o fundo de um vasilhame transparente cheio de água. Quando se inicia a fermentação, os gases produzidos vão empurrando o ar dentro das proximidades da tampa até sairem pela mangueira, fazendo borbulhas na água limpa. Assim, você monitora todo o processo. Se está lento ou acelerado, por exemplo : de dia, na parte da tarde, borbulha muito e de madrugada borbulha bem menos. Quando parar de sair bolhas no mecanismo de monitoração é porque a fermentação terminou e o biofertilizante está pronto para nutrir e proteger as plantas.

OBS : Os gases metano e o gás carbônico não são favorávies ao meio ambiente, pois contribuem para o efeito estufa. No entanto, as quantidades são relativamente pequenas e as vantagens ambientais indiretas compensam, pois você não estará utilizando produtos industrializados, que por mais "sustentáveis" que sejam, sempre prejudicam o meio ambiente, pois exigem extração, transportes, indústrias e comércios. Tudo isso requer muitos recursos da natureza. O problema pode, ainda, ser amenizado deixando o biofertilizante líquido mais para a adubação nitrogenada de verduras folhosas e como defensivo natural. Então, para não precisar produzir muito deste fertilizante natural, que também produz gases indevidos, adube mais fortemente os canteiros e covas com composto orgânico resultante de fermentação aeróbica (esta não produz CO2 e metano). Ver à direita, em MARCADORES : "Composto de pilha", da aula anterior.


Modelos 3, 4.....

Esquema ilustrativo de um biodigestor : ele
produz fertilizante líquido natural, além de
chorume e gás para fogão, lampião e motores.
Há algumas outras formas se se fazer adubo e defensivo natural líquido. Vamos descrever resumidamente alguns, mas a sua criatividade poderá "bolar" outros ou variações dos modelos existentes.

1 - Os biodigestores são construções maiores para também se aproveitar o gás metano, que é canalizado para a cozinha ou para acionar motores a gás. Os biodigestores são molelos maiores, vedados e controlados para produzirem biofertilizante líquido, adubo sólido e gás metano. Até o gás carbônico pode ser separado para climatizar estufas especiais que produzem melhores verduras com o aumento do gás carbônico no ar quase parado da estufa. Como existem vários modelos de biodigestores, consulte este site sugerido :
Biogás - passos para construir.... . Saiba mais pesquisando em sites de pesquisa. Digite, por exemplo : Como fazer um biodigestor simples.

2 - Alternativas para enriquecer a massa orgânica em fermentação : Diminuir um pouco a quantidade de capins e folhas verdes e misturar também : 2 kilos de farelo de arroz ou 4 de trigo. Pode-se enriquecer , ainda mais, com a adição de 1 k de fosfato de rocha, fosfato natural ou fosfato de Araxá. Normalmente, os solos brasileiros são deficientes deste mineral. Ele também ativa a ação microbiana.
O tambor também pode ser enchido com esterco verde de gado ou cavalo, água e outros materiais biodegradáveis. Há muitas variantes nestas fórmulas. Por exemplo, se você vai irrigar covas de tomateiros, que são exigentes em magnésio, deverá colocar no tambor apenas folhas de mamona, que são ricas neste mineral. Pesquise mais, digitando, por exemplo : "materiais orgânicos para fazer biofertilizante líquido".



Obs : as informações acima são apenas ilustrativas e complementares. Não são exatamente as mesmas transmitidas no curso.
É fácil plantar uma roça de mamona. Suas folhas
enriquecem o biofertilizante líquido e o composto com
o mineral magnésio, muito importante para muitas
plantas produtivas. As mamoneiras também repelem moscas
e as suas sementes podem ser vendidas.

Você pode ir no lote da Maria Marruá participar eventualmente das aulas práticas. Você dá uma ajudinha no mutirão e aprende muito, além de participar no convívio amigável. O almoço e o lanche são fornecidos na quantia certa para os alunos inscritos. Então, é bom você levar a sua marmita. Vai lá !! (pergunte quando, pois são dois dias inteiros por mês)

O curso de Olericultura Orgânica é oferecido gratuitamente pelo Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, em parceria com o sindicato Rural e com apoio da Prefeitura Municipal de São Carlos.

Veja as duas outras postagens sobre o curso : Introdução e Como fazer composto de pilha

Leia mais sobre as atividades dos Sem Terra e da reforma Agrária em São Carlos, procurando nos MARCADORES, à direita !!


Parte da fazenda Capão das Antas já foi doada a
industriários. Agora, falta outra parte ser destinada para
a Reforma Agrária. Lá é possível um assentamento
ecológico especial, em harmonia com as ricas nascentes
que abastecem de água São Carlos, além de exuberante
biodiversidade. Os sem terra - e futuros assentados -
também poderão contribuir para um Centro de Pesquisas
e um Grande Quintal das Escolas de São Carlos, na
mesma área da fazenda Capão das Antas.
Blog relacionado :

Capão das Antas - blog  A conquista de parte da fazenda Capão das Antas, da prefeitura, para a Reforma Agrária !! -Visite !!



Artigos no Ambiente Social - blog :




Poderes dominantes sobre as famílias dos sem terra

Eliminando preconceitos em relação aos sem terra

Arbitrária reintegração de posse em São Simão-SP

A parcialidade ou imparcialidade nos julgamentos dos juízes

O direito à terra e a inalienabilidade da terra (a terra não poderia ser vendida)







domingo, 21 de abril de 2013

EXEMPLOS DE FAMÍLIAS DE ASSENTADOS QUE MERECEM A TERRA - Sucessos e dificuldades para se estabelecerem na terra - Modelos de propriedades de assentados - Todos são estimulados a permanecerem na terra, vivendo e produzindo para si e para outros - Inclusão social e econômica das famílias - Como conviver harmoniosamente com a comunidade e a natureza - Página do lote de Roberto, conhecido como Canivete

Iniciaremos uma série de postagens mostrando as conquistas e dificuldades das famílias assentadas no município de São Carlos.
São exemplos de como alegrias e tristezas - que podem ser superadas -  acompanham a trajetória das famílias que por anos lutaram por um pedaço de terra junto às autoridades e ao Incra.
Os que precisam e gostam da terra são os que a merecem.


Lote 50, do assentamento Nova São Carlos, sob a titularidade do Sr. Roberto Chaves Gonçalves, o Canivete



Uma das primeiras construções do Sr. Roberto foi um
estaleiro para suportar duas grandes caixas d`água,
que ficam próximas da estrada para serem reabastecidas
pelo caminhão pipa. A água encanada deveria chegar
primeiro que a luz. O ideal seria a energia e a água
estarem instaladas desde o início.
A primeira preocupação : a água
O Canivete é um assentado bem ativo. Depois de construir a sua casa provisória - um barraco até grandinho - , uma de suas primeiras iniciativas foi construir um elevado próximo à estrada para instalar duas grandes caixas d`água. É que os assentamentos geralmente são feitos meio às pressas pelo Incra e outros órgãos públicos. A água encanada, até abril de 2013, após 3 anos, ainda não chegou. Então, a única
saída é o novo assentado depender da água do caminhão pipa da prefeitura de São Carlos. Pelo menos, nos primeiros anos, têm-se água para os afazeres da casa e para alguns animais e poucas plantas. Muitas famílias, principalmente no tempo sem chuva, são obrigadas a buscarem água em seus veículos ou até mesmo em carroças. Alguns tentam abrir um poço ou cisterna. Alguns  poucos, que moram próximos do córrego, chegam a instalar bombas provisórias. Mas, este não é o caso do Sr. Roberto e da grande maioria.


O Sr. Roberto já comprou, por conta própria, tijolos e
telhas para sua futura casa de alvenaria.
Observe as mamoneiras : elas são úteis na propriedade,
pois espantam mosquitos e produzem um composto
orgânico muito rico em magnésio.

Seria melhor : água e energia desde o início
Os órgãos relacionados à energia e à água dizem que não há verbas suficientes para a instalação imediata de eletrificação, captação de água e distribuição. Os assentados são até bem tolerantes com a demora. Porém, deveriam ser mais rapidamente atendidos em suas necessidades, pois, além de um problema habitacional, os assentados deveriam ser mais considerados como fazendo parte do grupo dos pequenos produtores rurais, que atendem boa parte da demanda de alimentos pelos que moram nas cidades.









Esforço e produção
O Sr. Roberto cria umas 20 cabeças de porcos.
Eles são bem tratados, pois há uma grande plantação
 de milho na propriedade.
As dificuldades iniciais são muitas. Nos primeiros dias que as famílias se mudam para o lote definitivo, não há muita diferença dos acampamentos onde moravam. Mas, continuam firmes, animados, decididos, cheios de bons planos. Alguns, por falta de estrutura, e não de vontade, desistem ou demoram mais tempo para realmente morarem na terra e fazerem-na produzir. Isto é, até certo ponto, compreensível, pois o êxodo rural do século XX viciou as pessoas nas comodidades das cidades e aos que gostavam de trabalhos rurais, ensinou-lhes apenas as tarefas da monocultura, como as colheitas de cana e laranja. A maioria gosta da terra e deseja morar nela, mas precisam ter um tempo para se reacostumarem. Enquanto isso, o apoio do poder público é fundamental para receberem estímulos para a produção, tais como cursos de capacitação e facilidades de escoamento da produção rural. Felizmente, isto está sendo feito parcialmente pelo Incra e outros órgãos públicos.
Salienta-se o esforço do amigo Canivete para investir em seu lote : há dois anos gastou o equivalente a mais de 20 mil reais para pagar trator esteira que arrancou grande parte dos tocos de eucalipto, onde agora plantou sua boa roça de milho.

Na hora da foto, grande parte das galinhas estava comendo
longe e não vieram. Eles tem por lá mais de umas 60
 galinhas e patos. Uns gostam mais de criações e outros,
de plantações. E mesmo assim, uns criam galinhas e porcos.
Outros criam vacas e peixes. Uns gostam de plantar milho.
Outros gostam de plantar pomar e horta.
Todos tem o direito de viverem na terra !!


Terra para todos
No entanto, a sociedade e os poderes constituidos devem respeitar as liberdades individuais. As famílias e as pessoas são diferentes umas das outras. Umas são super ativas na roça, outras não conseguem lavrar muita terra. Umas tem maiores ambições materiais e trabalham muito para conseguirem ganhar mais
dinheiro. Outras, são menos ambiciosas materialmente e não precisam de tanta terra para subsistirem. Tanto as mais produtivas, como as poucas produtivas tem o sagrado direito de morarem na terra e da terra tirarem pelo menos o seu sustento. O erro está no modelo atual de reforma agrária, que uniformaliza a todos
como sendo produtores rurais para manterem as cidades abastecidas de bons e baratos alimentos. Sabemos que é difícil, mas o Incra deveria criar assentamentos sub-divididos em lotes maiores, médios e menores. Para quê três alqueires destinados a uma pessoa sozinha, por exemplo ? No entanto, famílias grandes ou mais ativas, se se comprometerem a tocar um lote médio ou maior, deverão cumprir o seu contrato.


O Incra e a implantação do assentamento
Foto de uma parte do milharal de mais de um alqueire.
O milho, em abril, já está no ponto de colheita. O Roberto
vai abastecer o seu paiol e ainda irá vender muito milho !!

Embora o Incra faça várias reuniões dias antes das famílias se mudarem para os lotes, parece que falta algo no sentido de serem mais bem orientadas e apoiadas em relação às potencialidades da terra e de cada família, bem como dos compromissos que devem assumir quando são temporariamente consideradas guardiãs da terra. Tudo bem. Alguns erram e isso é normal em qualquer agregação humana, inclusive, muitas vezes, por falta da devida orientação antecipada ou por falta de mais controle por parte do Incra. O importante é que, se o poder público cumprir adequadamente a sua parte, as famílias dos assentados responderão positivamente, realizando em suas propriedades, e em suas vidas, o que pode ser considerado um modelo para novas formas de sociedades humanas sustentáveis.
O Roberto e outros colaboradores eventuais são exemplos de bons assentados e merecem a terra onde vivem !!

Redigido e editado por Luiz, em 21/abril/2013



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terça-feira, 16 de abril de 2013

CURSO DE OLERICULTURA ORGÂNICA - Segundo mês - O que é olericultura - Primeiras técnicas ensinadas - Como fazer um composto de pilha - Aulas ao ar livre - Aprenda um pouco mais - A produção orgânica de hortaliças - Mini curso aqui na internet - Vai lá visitar !!


Curso de Olericultura e Horticultura orgânica
Desculpe !! Aguarde mais fotos do evento, pois no dia da edição tivemos problemas com a internet. Cadastre o seu email no Grupo Ambiente Alternativo para receber aviso de atualização nesta página e outras postagens relacionadas a formas alternativas de produção de alimentos, e outras.



Dois dias por mês de amizade e muito aprendizado !!


 
O professor Diego ensina como fazer o composto de pilha
Veja mais fotos, com comentários, em Fotos Picasa

Hoje(14/abril/2013) foi dada continuidade ao curso de olericultura no assentamento Nova São Carlos, em São Carlos-SP, no lote da Maria Marruá. O curso está sendo ministrado pelo Professor Diego e é oferecido gratuitamente pelo Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em parceira com o Sindicato Rural e apoio da Prefeitura Municipal de São Carlos.

O curso é de grande proveito para os assentados e acampados, pois aprendem técnicas modernas que irão melhorar sua qualidade de vida e propiciar-lhes uma garantida fonte de renda. Os produtos orgânicos são cada vez mais procurados.
Olhe a pilha começando a ser montada. O professor e os
alunos programam as próximas atividades : fertilizante
 líquido.
Veja mais fotos, com comentários, em Fotos Picasa


Veja reportagem da introdução e do primeiro dia do curso de olericultura orgânica




Olericultura
Olericultura é o cultivo de verduras e legumes, ou hortaliças. A diferença da horticultura é que a olericultura se resume nas verduras e legumes, excluindo os chás, plantas condimentares, algumas frutas e outras plantas de utilidade que entram na horticultura.

Os conceitos abaixo não são exatamente o que foi ensinado no curso, mas servem como complemento e arquivo para futuras consultas.



Uma área de aproximadamente 1000 metros quadrados já
está preparada com o plantio de leguminosas para
 adubação verde e com cerca viva ao redor (capim napie)
para barrar o vento.
Veja mais fotos, com comentários, em Fotos Picasa

A olericultura orgânica
A produção é orgânica porque não utiliza adubos químicos e nem herbicidas(que matam ervas, matos e capins), pesticidas(que destroem pestes ou pragas), acaricidas(que matam os ácaros) e vários outros produtos químicos que são utilizados na agricultura convencional. No método orgânico, resolvem-se estes problemas com nutrição natural adequada das verduras e legumes e a aplicação de produtos naturais de controle.


O que foi ensinado - Compostagem
Foi um belo dia de aprendizado e práticas com a "mão na massa". Os assentados aprendem montando modelos didáticos que servirão à anfitreã do curso. Desta vez, os 25 alunos aprenderam a montar a pilha do composto orgânico, com capim, mato, restos de cozinha, estercos, calcáreo, e fósforo de rocha, além de um ativador da ação microbiana, o biogel.

Como fazer um composto de pilha
O composto deve ser montado em camadas e disposto em um terreno levemente inclinado para futuramente deixar escorrer o chorume, resultante do processo de biodegradação(decomposição feita pelas bactérias) dos materiais orgânicos utilizados na pilha. Se não tiver na propriedade um terreno levemente inclinado, procure não adicionar muito de materiais tipo restos de verduras, legumes e de cozinha. As camadas devem ser entremeadas de materiais com mais carbono(C) e materiais com mais nitrogênio(N), a fim de que se produza um composto bem equilibrado e com todos os nutrientes que as plantas precisam absorver.

Composto bem equilibrado
1 - Materiais que fornecem mais carbono (C) : capim, matos, serragem, folhas e palhas diversas de cereais.
2 - Materiais que fornecem mais nitrogênio (N) : estercos de galinha, porco, cavalo, vaca, cabra, etc..., além de restos de cozinha, alimentos perdidos, etc.
Fósforo e Cálcio
O fósforo de rocha, conhecido popularmente como fostato de Araxá, e o calcário usado para calagem e correção de solos, podem ser polvilhados entre as camadas para acelerar o processo de biodegradação, além de tornarem o composto mais nutritivo, principalmente em fósforo, pois geralmente as terras brasileiras são deficientes neste mineral.

O que é fermentação aeróbica
Enquanto se vai montando, rega-se com água, porém não muito.
A pilha de composto deve ser bem aerada(com ar) para que a fermentação seja adequada. A fermentação adequada se chama aeróbica, ou seja, se processa por bactérias que precisam de ar(oxigênio). Quando a fermentação é anaeróbica(sem ar ou com muito pouco ar), produz alguns gases venenosos e pútridos(fedidos), além de formar muito metano, gás que não é bom para o meio ambiente, pois ajuda no aquecimento global.

Como manter o composto aerado
Para que a fermentação não fique fedida - fermentada anaerobicamente - é necessário dois cuidados : não colocar excesso dos materiais que fornecem nitrogênio(N) e não molhar em excesso. Revolver(virar) as camadas, se necessário. Pode-se ir colocando pedaços de paus de mais ou menos 2 metros de comprimento, distanciados uns dos outros de um metro e em vários níveis da pilha. De vez em quando, mexe-se vigorosamente nestes paus para fazer entrar mais ar.

Bolores, não
Se ocorrer bolor(partes brancas), que não é benéfico ao composto, é sinal de falta de ar e/ou falta de umidade. Mexer e regar um pouco semanalmente, se necessário,  para evitar a formação de bolores, que são prejudiciais ao composto e às plantas que serão adubadas com ele.

Sombra ou cobertura final
Se houver na propriedade um local semi-sombreado, é preferível. Se não, pode ser feito em local aberto e com sol, mas neste caso deve-se dispor uma camada mais grossa de capim por cima. Em períodos sem chuva, as regas devem ser mais constantes e pode-se até cobrir o composto com papelões ou plásticos. Em períodos muito chuvosos, é conveniente cobrir parcialmente com plásticos, para não entrar excesso de água.

A temperatura interna do composto é muito importante
Depois de alguns dias da montagem da pilha, o processo inicial das bactérias de fermentação pode ser sentido através da colocação de uma ou mais hastes de metal até atingirem o centro e o fundo da pilha. É que, depois de mais ou menos uma semana, a fermentação é tão forte que produz calor. Então, retira-se a haste e observa-se como está quente. Esta quentura continua durante mais de um mês, quando termina a primeira fase do processo. Esta fase é muito importante, pois mata possíveis bactérias e ovos de vermes patógenos(que podem provocar doenças nas pessoas), além de tirar o poder de germinação de sementes de matos e capins. Excesso de calor (mais que 75 graus), é sinal de excesso de materiais que produzem nitrogênio (esterco, restos de cozinha, etc) e falta de calor (abaixo de 60 graus), é sinal de que na pilha tem muito capim, palha, folhas, serragem, etc(materiais que fornecem carbono). Por isso é importante equilibrar e distribuir bem todos os materiais que compõem a pilha. 
Depois da fase inicial que esquenta, vem a fase de maturação, ou cura, que necessita de mais um ou dois meses para esfriar e ficar no ponto ideal para ser usado nos canteiros.

Demora mais no tempo do frio
No tempo do frio, o processo de biodegradação, ou decomposição pelas bactérias benéficas, demora mais meses. No tempo do calor(verão), a cura (estágio final) vem mais rapidamente. O tempo de maturação do composto depende também dos materiais adicionados. Serragem fina, capim triturado e casca de café, por exemplo, produzirão um composto em menor tempo(digamos, 6 meses no tempo do frio e 4 meses no verão) e composto feito com capim, matos, galhos e folhas, demorarão um pouco mais.

O benefício final
No final, obtêm-se um adubo totalmente natural, que nutrirá as plantas fortemente, protegendo-as de pragas e doenças. Desta maneira, as poucas que aparecerem, serão facilmente controladas por técnicas e produtos naturais que serão ensinadas em outras aulas.

Não inscritos podem ir lá de vez em quando
Você, do acampamento, do assentamento ou da cidade, que não está inscrito neste curso, pode ir lá de vez em quando. Dá uma ajudinha e aprende bastante, além de compartilhar bons momentos com amigos. Tem lanche a almoço para os inscritos, então é bom você levar a sua marmita e o seu café.

Apoiadores e convite
Estiveram presentes na aula de hoje (quase o dia todo) - e amanhã a dose vai se repetir - alguns amigos do espaço alternativo Veracidade. O Leandro, o Filipe, o Fernando e outros estão dando a maior força !! Vai lá você também !!

Redigido e editado por Luiz, em 15/abril/2013

Por favor, se você copiar e reproduzir, inclua o link da fonte desta postagem, a seguir :
http://agrariossaocarlos.blogspot.com.br/2013/04/continuidade-do-curso-de-holericultura.html



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